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Uma forma alternativa e eficiente
de geração de energia elétrica
20/11/2003 16:46 – Existem no
mundo poucas máquinas do tipo Tokamaks Esféricos, destes, um aqui no Brasil. O Tokamak ETE (Experimento Tokamak Esférico) que está em
funcionamento desde novembro de 2000 no Laboratório de Plasma (LAP) do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP),
é uma destas máquinas.
Este tipo de
equipamento está passando por uma série de aperfeiçoamentos para que, em um
futuro próximo, torne-se uma fonte alternativa e eficiente de geração de
energia elétrica. O principal objetivo do Tokamak ETE é o estudo da engenharia de fusão com confinamento magnético
do plasma em uma configuração propícia para a construção de futuros reatores
compactos.
Neste processo de geração de energia é
preciso que a matéria esteja em um estado físico conhecido como plasma. No
plasma de fusão nuclear existe a possibilidade de fundir átomos leves do
hidrogênio e, assim, gerar energia para produzir calor. Este calor poderá ser
retirado através de trocadores de calor (conjunto de tubos por onde passa um
fluido refrigerante) e transportado para geradores convencionais que produzem a
energia elétrica (a figura mostra futuro reator).
Segundo Luis Filipe Wiltgen Barbosa, doutor pelo Instituto Tecnológico de
Aeronáutica (ITA), autor da tese “Estudo
de um sistema inteligente para o controle de posição do plasma no Tokamak ETE”, “é imprescindível
dizer que para este processo seriam utilizados inicialmente dois tipos de reagentes – deutério extraído da água do mar e trítio,
radioativo, obtido através do lítio (ambos isótopos do hidrogênio) – que
formam o hélio 4 substância que pode ser liberada na natureza, ou seja, energia
limpa, não agressiva ao meio ambiente”.
Hoje já existem máquinas do tipo tokamak que geram
energia por fusão (Joint European Torus, JET, no Reino Unido). No entanto, estas
máquinas não são reatores de fusão, pois ainda consomem mais energia do que é
gerada por fusão. É fácil perceber que o processo de produção de energia
elétrica com a fusão é muito mais eficiente do que os processos atuais (a
figura mostra a comparação da quantidade de combustível necessária para
produzir 1 GW de energia), mas isto implica em uma grande complexidade no
projeto e construção deste tipo de reator.
Reações de fusão obtidas através de altas
temperaturas são chamadas de Reações Termonucleares. A temperatura necessária é
da ordem de 100 milhões de graus Celsius. O plasma a esta temperatura não pode
entrar em contato com a máquina. Desta forma, é necessário utilizar uma câmara
de vácuo e campos magnéticos intensos. Os campos magnéticos são obtidos através
bobinas, que geram e confinam o plasma em uma determinada região de operação,
sem contato físico com as estruturas do tokamak, flutuando no vácuo. Durante este tempo, o plasma
deve se manter em equilíbrio (dentro da região de operação) para que possa
produzir reações nucleares.
Sabendo que o plasma se movimenta, ou seja, sai
da região de equilíbrio mesmo quando está confinado por campos magnéticos,
Filipe desenvolveu o sistema de Levitação Magnética, o MagLev, que permitiu
estudar de forma controlada e simples o comportamento não-linear deste
dispositivo. Dentro de certos parâmetros pode ser considerado similar ao que
ocorre com o plasma no Tokamak ETE.
No ETE, assim como no MagLev, é preciso
utilizar um sistema de controle eficiente para manter o plasma (ETE) ou a
esfera metálica (MagLev)
em equilíbrio. “A pesquisa realizada nesta tese, em particular, diz
respeito à proposição de um sistema para controlar o deslocamento vertical do
plasma no ETE utilizando controladores inteligentes, procurando tornar os
disparos nesta máquina mais estáveis, visando também, sua utilização em futuros
reatores”.
O MagLev foi projetado,
construído e modelado computacionalmente para comparar o desempenho dos
controladores clássicos (Proporcional Integral Derivativo – PID) e
inteligentes (Redes Neurais Artificiais), que poderão ser adotados como uma
solução para o controle do deslocamento do plasma no ETE. Os resultados obtidos
nesta pesquisa mostram-se bastante promissores para a utilização dos
controladores inteligentes, tanto no Tokamak ETE como
em outras aplicações de controle.
Luis
Filipe de Faria Wiltgen Barbosa
Graduação – Universidade de
Taubaté (Unitau), 1994, curso de Engenharia Elétrica.
Iniciação Científica – Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 1994, "Projeto e Análise dos
Circuitos de Produção de Campo Magnético Toroidal e
de Formação do Plasma do Tokamak ETE", bolsa de
estudos da FAPESP. Orientador: Prof. Dr. Edson Del Bosco (INPE/LAP).
Mestrado – Instituto
Tecnológico de Aeronáutica (ITA), 1998, tese “Sistema Elétrico Pulsado
com Controle Digital do Tokamak ETE”, bolsa de
estudos da FAPESP. Orientador: Prof. Dr. Edson Del Bosco (INPE/LAP).
Doutorado – Instituto
Tecnológico de Aeronáutica (ITA), 2003, tese “Estudo de um Sistema
Inteligente para o Controle de Posição do Plasma no Tokamak
ETE”, bolsa de estudos da FAPESP. Orientadores: Prof. Dr. Gerson Otto
Ludwig (INPE/LAP) e Prof. Dr. Cairo L. Nascimento Jr.
(ITA).
Regina França – Assessoria de
Imprensa do ITA