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Pesquisa do ITA sobre navegação autônoma na Lua é apresentada em conferência internacional

Carga útil lunar LINNA utiliza inteligência artificial para ampliar a autonomia de satélites na órbita da Lua

 

Publicado em 23/06/2026 - 13h50

 

Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para aprimorar a navegação autônoma de satélites em órbita lunar foi apresentada no SmallSat Europe 2026, realizado entre os dias 26 e 28 de maio, em Amsterdã, na Holanda. O estudo utiliza Inteligência Artificial embarcada para estimar, em tempo real, a posição da espaçonave sem depender exclusivamente de comandos enviados da Terra, tecnologia que poderá contribuir para futuras missões de exploração da Lua.

Representando a equipe responsável pelo projeto, o aluno e pesquisador do ITA Gleisson de Souza Bezerra apresentou os resultados da pesquisa durante o SmallSat Europe 2026, um dos principais eventos europeus dedicados ao setor de pequenos satélites. O trabalho foi desenvolvido em conjunto com os pesquisadores Renan Menezes, Pedro Varela, Lidia Sato e Felipe Oliveira Tavares, sob orientação do Professor Doutor Luís Eduardo Vergueiro Loures da Costa, chefe do Núcleo de Engenharia Aeroespacial do ITA e membro do CEI.

O estudo descreve o desenvolvimento e os primeiros experimentos da carga útil LINNA (Lunar Intelligent Navigation Neural Architecture), tecnologia que integra a missão SelenITA, projeto que busca viabilizar o primeiro CubeSat lunar brasileiro. Segundo o pesquisador Gleisson Bezerra, a artigo aborda um dos principais desafios das futuras missões de exploração lunar: a navegação autônoma em órbitas lunares muito baixas, conhecidas como Very Low Lunar Orbit (VLLO). “Nessas regiões, a presença de concentrações de massa no subsolo lunar, chamadas de mascons, gera anomalias gravitacionais capazes de comprometer a precisão dos sistemas convencionais de navegação baseados exclusivamente em sensores inerciais”, explicou Bezerra.

Como alternativa, a carga útil LINNA utiliza técnicas de Inteligência Artificial embarcada para processar imagens da superfície lunar em tempo real e estimar a posição da espaçonave de forma autônoma, reduzindo a dependência de comandos enviados a partir da Terra. “A tecnologia poderá atuar como um sistema auxiliar de Guiagem, Navegação e Controle, ampliando a segurança e a eficiência de futuras operações no ambiente lunar”, acrescentou o Professor Doutor Luís Loures, representante do grupo durante o evento.

Para o Reitor do ITA, Professor Doutor Antonio Guilherme de Arruda Lorenzi, a participação do Instituto em eventos internacionais de grande relevância reforça o reconhecimento da instituição no cenário global e evidencia sua contribuição para o avanço de tecnologias espaciais de fronteira. “Além de projetar a capacidade científica e tecnológica brasileira no exterior, o trabalho contribui para o desenvolvimento de soluções estratégicas voltadas à exploração lunar e ao fortalecimento do Programa Espacial Brasileiro”, afirmou.

SelenITA

O Projeto SelenITA é um nanossatélite da classe CubeSat desenvolvido pelo ITA em parceria com a NASA, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), contando ainda com a colaboração de universidades norte-americanas. A missão tem como objetivo estudar os campos magnéticos e as interações presentes na crosta lunar, além de investigar o transporte de poeira sobre a superfície da Lua provocado por fenômenos elétricos e impactos de asteroides.

Voltado ao estudo da região do polo sul lunar, o SelenITA contribuirá com informações relevantes para futuras missões de exploração humana da Lua. A missão representa a contribuição brasileira ao Programa Artemis e constitui uma iniciativa estruturante prevista no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) 2022–2031.

 

Fonte: ITA, por Ten Leonardo
Foto: ITA