
Trabalhos destacam aplicações de metodologias ágeis no desenvolvimento e gerenciamento de missões espaciais complexas
Publicado em 26/06/2026 - 11h25
Alunas de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) participaram, em junho, da 2nd Latin American Conference on Space and Society (LACSS), realizada na cidade de Salta, na Argentina. O evento reuniu representantes da indústria espacial, agências governamentais e instituições acadêmicas de diversos países para discutir avanços científicos, tecnológicos e programáticos relacionados ao setor. O ITA foi a única instituição brasileira de ensino superior presente na conferência.
Durante a sessão técnica de Engenharia de Sistemas, a Tecnologista e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias Espaciais, Lidia Shibuya Sato, apresentou os artigos “A Competency Matrix-Driven Agile Methodology for Human Resource Allocation in Multi-Mission CubeSat Programs” e “An Integrated Systems Engineering Approach for Agile Development and Cost-Aware Management of Complex CubeSat Missions”.
A mestranda Débora Cristina dos Santos Siqueira, por sua vez, apresentou o trabalho “Implementing Agile Systems Engineering in Multi-Mission CubeSat Programs: Practical Experience from SPORT, ITASAT2, and SelenITA”. Os três estudos são orientados pelo Chefe do Núcleo de Engenharia Aeroespacial do ITA, Professor Doutor Luís Eduardo Vergueiro Loures da Costa, e abordam o planejamento, o gerenciamento e o desenvolvimento de missões espaciais de pequeno porte, com foco na aplicação de metodologias ágeis, que favorecem maior flexibilidade, integração entre equipes e adaptação rápida aos desafios inerentes a projetos complexos.
As pesquisas propõem soluções para programas espaciais compostos por múltiplas missões, contemplando desafios relacionados à alocação de recursos humanos, à integração entre Engenharia de Sistemas e métodos ágeis, bem como ao gerenciamento de custos e cronogramas em projetos de elevada complexidade tecnológica.
Para Lidia Sato, “a adoção de abordagens ágeis tem se mostrado uma alternativa promissora para aumentar a eficiência, a adaptabilidade e a capacidade de resposta de equipes envolvidas no desenvolvimento de sistemas espaciais, especialmente em projetos que demandam ciclos rápidos de inovação e integração multidisciplinar”. Débora Siqueira complementa, afirmando que “essas metodologias contribuem para tornar os programas espaciais mais resilientes e eficientes, permitindo que equipes multidisciplinares respondam com maior rapidez aos desafios inerentes ao desenvolvimento de missões complexas, sem abrir mão da qualidade e da confiabilidade exigidas pelo setor”.
Os estudos apresentados estão relacionados a iniciativas estratégicas conduzidas pelo ITA para o fortalecimento das capacidades nacionais em tecnologia espacial. Entre elas destacam-se o ITASAT2, satélite universitário voltado ao desenvolvimento e à validação de tecnologias espaciais, e o SelenITA, missão lunar baseada em um CubeSat que integra a contribuição brasileira ao Programa Artemis.
SISTEMAS ÁGEIS
As metodologias ágeis consistem em um conjunto de práticas de gestão e desenvolvimento voltadas à execução de projetos de forma mais flexível, colaborativa e adaptável. Diferentemente dos modelos tradicionais, que seguem etapas rigidamente definidas desde o início, as abordagens ágeis privilegiam ciclos curtos de planejamento, execução e avaliação, permitindo que equipes incorporem melhorias contínuas e respondam com maior rapidez a mudanças de requisitos, restrições técnicas ou novos desafios identificados ao longo do projeto.
No contexto espacial, a aplicação dessas metodologias tem ganhado relevância especialmente em programas que envolvem múltiplas missões, equipes multidisciplinares e cronogramas desafiadores. Ao promover maior integração entre especialistas, acompanhamento contínuo das atividades e tomada de decisões baseada em resultados parciais, os métodos ágeis contribuem para aumentar a eficiência dos processos de desenvolvimento, reduzir riscos e otimizar o uso de recursos, sem comprometer os elevados padrões de qualidade e confiabilidade exigidos pelo setor aeroespacial.