
Aliança entre academia, centros de inovação e indústria tem o objetivo de alcançar a descarbonização sustentável
Publicado em 03/07/2026 - 20h20
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) assinou acordo de participação no projeto Motor a Etanol de Alta Eficiência, iniciativa que reúne instituições de pesquisa, centros de inovação e empresas da indústria automotiva para desenvolver a terceira geração de motores movidos a etanol. O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mover, do Governo Federal, por meio de uma aliança formada pela unidade EMBRAPII do ITA, três Institutos SENAI de Inovação (ISIs) e 13 empresas do setor automotivo.
As pesquisas buscam desenvolver soluções capazes de ampliar a eficiência energética dos motores movidos a etanol, contribuindo para a redução das emissões de carbono e para o fortalecimento da indústria nacional. Como unidade EMBRAPII, o ITA será responsável pela avaliação laboratorial de tecnologias disruptivas voltadas à terceira geração de motores a etanol, realizando ensaios e validações em níveis iniciais de maturidade tecnológica.
A participação do Instituto ocorrerá nos primeiros 18 meses do projeto, cuja duração total será de 36 meses. Além do desenvolvimento tecnológico, a iniciativa representa uma importante oportunidade para ampliar a formação de recursos humanos altamente qualificados. Professores e pesquisadores do Laboratório de Combustão, Propulsão e Energia (LCPE) e do Centro de Competência em Manufatura (CCM), ambos do ITA, terão contato com tecnologias emergentes, fortalecendo o processo de aprendizado, desenvolvimento e transferência de conhecimento para o ensino.
Para o Pró-Reitor de Pesquisa e Relacionamento Institucional do ITA, Professor Doutor Maurício Vicente Donadon, o projeto também amplia as oportunidades de formação de estudantes e pesquisadores. “A iniciativa permitirá a participação em estágios, trabalhos de graduação, projetos de iniciação científica e dissertações de mestrado, aproximando os alunos de desafios reais da indústria e contribuindo para a formação de profissionais preparados para atuar em pesquisa, desenvolvimento e inovação”, destacou.
De acordo com o acordo assinado, estão previstas melhorias em instalações utilizadas tanto nas atividades de pesquisa quanto no ensino, incluindo a modernização dos sistemas de detecção e combate a incêndio e a implantação de um novo sistema de análise de gases, ampliando a capacidade experimental do ITA na área de propulsão.
Segundo o Reitor do ITA, Professor Doutor Antonio Guilherme de Arruda Lorenzi, a iniciativa fortalece o papel do Instituto no desenvolvimento tecnológico nacional. “O projeto fortalece a posição do ITA como um dos principais atores do ecossistema nacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação, ampliando sua interação com a indústria em áreas como manufatura, estruturas, sistemas embarcados e engenharia automotiva. A iniciativa também exemplifica o modelo de cooperação entre universidades, institutos de pesquisa e empresas, transformando conhecimento científico em soluções de alto impacto para a sociedade”, afirmou.
TRADIÇÃO
A participação do ITA nesse projeto reforça uma tradição do Instituto no desenvolvimento de tecnologias relacionadas ao etanol. Na década de 1970, o ITA e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) tiveram papel de destaque nas pesquisas que contribuíram para o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool), iniciativa que consolidou o Brasil como referência mundial no uso desse biocombustível.
Esse legado está diretamente ligado à trajetória do professor Urbano Ernesto Stumpf, formado na primeira turma de Engenharia Aeronáutica do ITA, em 1950, e reconhecido como o "pai do motor a álcool" no Brasil. Foi no próprio Instituto que Stumpf iniciou, ainda na década de 1950, seus estudos sobre a viabilidade do etanol como combustível. Posteriormente, coordenou estudos que forneceram a base tecnológica para o desenvolvimento dos motores movidos a álcool no País.